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A INFLUÊNCIA DO MILAGRE ECONÔMICO SOBRE A FARMÁ...

 Além dos diversos setores e segmentos alvos destas explorações, a saúde foi, particularmente, um excelente nicho mercadológico para estes investidores. Possibilitou a desova de equipamentos, serviços, tecnologias e produtos industrializados – incluindo a comercialização de medicamentos – forçando a população a pagar (direta ou indiretamente através do governo), um preço exorbitante pela incidência de altos impostos taxados aos produtos importados, o câmbio desfavorável em relação a nossa moeda, além é claro, da margem de lucratividade destas ocorrências mercantilistas, livres de fiscalização ou parâmetros competitivos. 

E não era só isso. Na área farmacêutica, ainda minimizava-se o custo operacional das empresas em pesquisas e exploração de novas fontes de princípios ativos, na rica fauna e flora que compõe a biodiversidade brasileira, ou ainda, como área de teste para novas drogas e descobertas através de postos de distribuição a varejo – comercialmente lucrativos através da prática, popularmente conhecida, de “empurroterapia” – batizados de DROGARIAS e instituídos pela Lei 5991/73. Mesma lei que permitiu a abertura destes estabelecimentos por leigos e instituiu a figura da responsabilidade técnica, garantindo a substituição do farmacêutico por práticos, usando como argumento – para alegação da dispensabilidade do profissional qualificado na dispensação – o fato do medicamento já vir embalado da indústria e com a identificação do farmacêutico responsável.
Novamente a população brasileira perdeu a possibilidade de ter acesso a uma, entre várias, formas de Atenção Primária à Saúde e ganharam as elites favorecidas politicamente em seus interesses de aspectos mercantilistas. Afastando, definitivamente, o medicamento e a profissão farmacêutica de uma possível Política Pública de Saúde e da Organização Sistêmica do Tratamento.
Neste contexto o medicamento passa a ser somente um produto comercial e deixa de fazer parte da saúde. Entendimento este ainda predominante entre os empresários do medicamento e, infelizmente, por algumas “autoridades” de nosso estado e país.

 

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