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ASPECTOS PROFISSIONAIS NA FARMÁCIA

Desde a regulamentação do exercício da profissão farmacêutica no Brasil, através do decreto nº 20.377 de 8 de setembro de 1.931, muita coisa mudou. No dia 27 de abril de 2.001, o Conselho Federal de Farmácia publica a resolução 357 no Diário Oficial e a partir daí, ela passa a ser tratada como a nova “Bíblia do Farmacêutico”. “É um instrumento forte, de impacto e de grande importância, no sentido de fomentar a atenção farmacêutica e todo o conjunto de atribuições profissionais, dentro da farmácia e drogaria” explicou, na época, o presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos. “A resolução é um marco no exercício da Farmácia. Nela, o farmacêutico encontra todas as ferramentas para prestar os seus serviços de atenção, bem como promover ações de educação sanitária, no estabelecimento”. Opinião confirmada por outro integrante da comissão especial, Ademir Silva. Segundo ele, “as farmácias e drogarias dispõem de mais esta importante matéria, com o objetivo de torná-las verdadeiros estabelecimentos sanitários”.

A profissão farmacêutica durante os últimos 30 anos encontrou-se centrada, determinantemente, no medicamento. No entanto, em virtude da evolução na compreensão do conceito saúde nos últimos anos, o desempenho da profissão farmacêutica caracteriza-se por uma mudança na atitude do farmacêutico que, além de sua atividade de analista e especialista do medicamento, passou a centrar sua atividade no paciente. A farmacoterapia tem se tornado a principal arma de combate às doenças.

No entanto, numerosos estudos têm comprovado que nem sempre, perante um diagnóstico correto, somente a prescrição e dispensação adequadas, conseguem obter os resultados terapêuticos pretendidos. Tal situação está relacionada, diretamente, a utilização incorreta dos medicamentos causando graves danos à saúde do paciente; constitui num desperdício causado pelo não aproveitamento das propriedades terapêuticas do medicamento e, por fim, onera os custos gerais com a saúde pública nos casos de atendimento secundário e terciário ocasionados pelas ocorrências.

A identificação dos problemas relacionados ao uso inadequado dos medicamentos é hoje um elemento fundamental para que a farmacoterapia seja segura e eficaz. A pluralidade de prescrições para um único paciente; aumento da oferta de novos e mais complexos medicamentos; a disparidade e complexidade da informação sobre os tratamentos farmacológicos e o elevado grau de morbidade e mortalidade relacionadas com os medicamentos são razões que justificam a necessidade da intervenção do farmacêutico nos sistemas de saúde. Dentro desta reordenação percebe-se que a atuação farmacêutica, mais do que nunca, é indispensável dentro do estabelecimento da farmácia que, por sua vez, assume papel preponderante dentro da construção de uma saúde pública de melhor qualidade para a sociedade.

No que tange a política pública de saúde, o Brasil estabeleceu um equívoco enorme ao não compreender e incluir as farmácias brasileiras como parte integrante do sistema. O profissional farmacêutico, com qualificação nas áreas biomédicas, poderia estar exercendo um papel fundamental de educador sanitário, através da prevenção e combate a epidemias e patologias – de grande preocupação social nos dias de hoje – sem onerar, ainda mais, a deficitária verba orçamentária para saúde. Ao contrário, através de sua atuação responsável e uma relação comercial honesta, estaria prestando um serviço de utilidade pública e, ao mesmo tempo, contribuiria com o aumento da participação ativa do setor na arrecadação geral dos impostos.

Talvez em contrapartida, ao longo dos últimos trinta ou quarenta anos, a categoria farmacêutica, rica na discussão responsável de sua função, não seria hoje vista como mais um problema econômico ou de saúde da sociedade brasileira e sim, um referencial gerador de riquezas.

Diante da exposição acima e sendo mais pontual em relação aos aspectos profissionais que regem a profissão de farmacêutico, podemos afirmar categoricamente que a Farmácia no Brasil está conseguindo apagar, aos poucos, as marcas do que um dia foi motivo de muita vergonha para a profissão e lembrada por uma expressão, que gostaríamos, fosse apagada da língua farmacêutica: “assinar pela farmácia”.

O Farmacêutico dá mostras de que está ansioso para assumir o seu lugar dentro do sistema de saúde de nosso país e mais, ser reconhecido como o profissional do medicamento, exercendo a função de inspetor sanitário dentro da farmácia. Verdadeiro cidadão e educador, que centra suas ações no conhecimento científico do medicamento e na sua capacidade de interação com as comunidades, através da máxima de “pensar globalmente e agir localmente”. Objetivando suas ações dentro de um princípio humanístico e solidário na construção de uma sociedade melhor; respeitando e lutando pela dignidade das pessoas; permitindo que elas alcancem a autonomia e capacidade de cuidar de si mesmas e reconhecendo, a partir das necessidades individuais de saúde, a importância da participação efetiva na consolidação dos direitos através da democratização da informação e a descentralização do conhecimento, como preconiza o código de ética do farmacêutico e que foi, por livre opção, juramentado obedecer no dia da sua formatura.

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